Variedades lingüísticas:
São as variações que uma língua apresenta, de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas em que é utilizada.
-Norma culta: é a língua padrão, a variedade lingüística de maior prestígio social.
-Norma popular: são todas as variedades lingüísticas diferentes da língua padrão.
(Fonte: http://www.ficharionline.com/ExibeConteudo.php5?idconteudo=5603)
Em uma mesa de bar (sempre tem que ser em uma) surgiu a seguinte pérola: o presidente Lula não fala errado. Ele apenas não usa o português normativo. É o que os professores da Usp falam.
Diante de tal (fraco) argumento, nem prolonguei a discussão, ainda mais por que veio de uma pessoa que eu amo muito. Então preferi mudar de assunto, ainda mais por que anteriormente estava rolando a conversa do filme “Ensaio sobre a Cegueira” (Eu digo que não vou conseguir parar de pensar nesse filme por um bom tempo!) e eu ainda estava refletindo sobre o que foi dito.
Ao chegar em casa, porém, não conseguia dormir. Essa afirmação ficou entalada na minha garganta. Meu Deus! Agora justificam os erros de português do presidente? Então pra que raios eu tenho que aprender gramática?
Inquieta, fui pesquisar sobre o assunto.
Pelo que eu entendi, o que consideramos “errado” no modo de falar, na verdade é uma variedade da língua padrão. Nesse caso, o nosso presidente fala uma variedade do português.
Durante as pesquisas encontrei também blog com um post falando de um email, escrito pelo professor Carlos Carota, sobre uma crítica do FHC a respeito do presidente Lula, criticando este pelo seu modo de falar. Carota afirma que essa crítica está carregada de preconceito, não apenas contra Lula, mas também contra “nós todos brasileiros, uma maioria que fala como Lula, tem história de vida muito próxima da de Lula e que se não teve acesso à escola formal, pública, gratuita e de boa qualidade no tempo devido, isto certamente deveu-se às historicamente construídas e bem defendidas por falas como a do rei combalido, FHC, táticas e estratégias de manutenção de poder, exploração das massas, e manutenção das péssimas condições destes que, no final, ainda são injustamente condenadas e individualmente responsabilizadas por sua atual situação como se pudessem ter tido, num sistema excludente, perverso e massacrante, escolha de fato”.
Eu proponho a seguinte reflexão: se temos uma norma padrão, sem querer menosprezar a variedade linguistica, mas não se espera de um chefe de estado que este utilize a norma culta? Afinal, dele depende a vida de todos os cidadãos. É o presidente que representa o povo, é ele quem trata com políticos internacionais.
Enfim, podem ter “n” justificativas para o fato do presidente não saber falar a norma culta da nossa língua. E também o fato dele não usar a norma culta não está necessariamente ligada à falta de inteligência. Quem sou eu pra julgar as pessoas pelo modo como elas falam?
Mas a questão é, por acaso o vestibular consideraria erros de concordâncias como a variedade linguistica? Por acaso em uma entrevista de emprego tolerariam o uso de estruturas gramáticas contrárias às normas cultas?
Se uma matéria jornalística deixa passar erros de digitação – veja bem e nem são erros de português – pode-se ter certeza de que os leitores não deixarão passar em branco.
E um jornalista está longe de ter a mesma importância de um PRESIDENTE!
Por que, no caso de quem está na presidência, isso é tolerado? E, ainda mais, é considerado preconceituoso quem o critica.
Se temos a norma culta da língua, não é o mais correto usá-la?
Pessoas, é sério. Estou confusa, muito confusa.
E isso por que eu ainda nem citei o outro parágrafo do post em que diz que critica os professores “por não perceberem o quanto fazem o jogo do poder e da dominação que quer, atendendo aos interesses de uma minoria escolarizada e bem nascida, discriminar a maioria da população que fala o português como todos falam” (agora eu citei!)
Hum. Ensinar a norma culta da língua portuguesa é forma de alienação?
De fato, estou confusa. Por favor, leiam o
post na íntegra e me digam se eu compreendi o teor de forma errada.
Estou tão confusa que não sei se este post está claro. Para resumir, a minha opinião é a seguinte: respeitemos as variedades linguisticas, mas não podemos nos esquecer de que existe a língua padrão, que é exigida para todos os profissionais. E o presidente deveria estar incluído nisso.